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Foi expulso o príncipe deste mundo

As Escrituras afirmam veemente que um certo “príncipe deste mundo” foi expulso quando Cristo morreu (João 12:31)


Esse evento é de muita importância e é tratado diversas vezes nas Escrituras.
Devido à falta de entendimento sobre ele, é ignorado ou tratado de forma incoerente.

“Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.”João 12:31

“Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim”João 14:30

“E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.”João 16:11

     Quando se fala em “príncipe deste mundo”, a cristandade tende a associar a um anjo que pecou antes da criação e trouxe o pecado ao mundo: Como já mostramos em outros artigos, biblicamente, quem traz o pecado ao mundo é o próprio homem ao desobedecer a Deus, e anjos não foram responsáveis por isso, segundo as próprias Escrituras anjos não pecam e foi pelo homem que o pecado veio à Terra. Portanto, essa hipótese está descartada. Em nenhum momento, nas Escrituras, o “príncipe deste mundo” é associado a um anjo desobediente a Deus.
    Um fator simples que nos esclarece boa parte do que seja essa expulsão, é analisar quem era o príncipe (archon – autoridade, principado) daquele mundo (kosmos) ou era (aion).
Quem era a autoridade daquele mundo? Dualistas dirão que é um anjo rebelde (como sempre dizem, sem respaldo bíblico), mas a bíblia, a história e a ciência das religiões, e tudo o mais dirá que as autoridades do mundo que Cristo viveu são os judeus, junto ao Império Romano.
     É inegável que o sistema judaico, que crucificou Jesus, era o grande príncipe (archon) daquele mundo. As próprias Escrituras, assim dizem:

“Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam;
Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;
A qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu; porque, se a conhecessem, nunca crucificariam ao Senhor da glória.”

I Coríntios 2:6-8

     De fato, esse sistema foi “expulso”, se findou, em duas faces, relacionado ao cristianismo e à religião judaica. A essa última, se deu às margens dos anos 70dC, quando o Templo foi destruído, acabando todo sistema religioso dos judeus daquela era. Focaremos mais no que nos interessa biblicamente, o âmbito religioso cristão. Talvez ainda não está muito claro qual foi a expulsão, então vamos às Escrituras.
     Veja o que o autor de Hebreus diz em sua carta:

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.”
Hebreus 2:14

     Ele chama de “o acusador” (diabolous) o que tinha o império da morte, e ainda diz que tal acusador foi aniquilado na cruz. O assunto da carta de Hebreus é justamente sobre o sistema judaico que havia se mostrado fraco, sem fé. Isto é, o assunto de toda carta aos hebreus é lei, fé e salvação, desenvolvido em torno de Nosso Senhor.
Em momento algum ele trata sobre rebeliões angelicais ou anjos rebeldes, muito pelo contrário, ele frisa que a nenhum anjo Deus chama de Filho (1:5) e que todos anjos auxiliam os herdeiros da salvação (1:14), contrariando a ortodoxia cristã apóstata baseada em Enoque.
Subentende-se que o acusador é chamado de imperador, ele possui um poder, um império. É uma linguagem muito parecida com “príncipe deste mundo”, que também tem um poder.
     Um verso bem relacionado a esse, está na carta aos romanos:

Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.
Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne.”

Romanos 8:2-3

     Verificamos ao decorrer de uma leitura atenciosa de Romanos 6, 7 e 8, uma íntima ligação entre morte, pecado, e Lei. Não entremos aqui na discussão sobre vigência da Lei, da qual já temos artigos próprios. O que temos que entender no entanto, é que, a morte (não é morte física, conforme já foi estudado em outros artigos) aparece a partir do pecado (o salário do pecado é a morte), o pecado só aparece quando se está debaixo da Lei, e Cristo nos tirou de debaixo da Lei.
      Nisto já podemos perceber que, a expulsão do príncipe deste mundo da qual se deu na cruz, se trata de nos libertar do pecado, pecado este que está na Lei. Já vimos também, que o “príncipe deste mundo” é o sistema judaico. A Lei, conforme era ensinada e praticada, era ligada a esse judaísmo, o mesmo que crucificou Jesus.
     Sem essa expulsão do sistema judaico, não existiria cristianismo. Entender sobre ela, e tudo mais que a envolve, é fundamental para entender o sistema cristão, cujo sumo sacerdote é Cristo que anulou todo sacerdócio anterior.
     Paulo aos colossenses e aos gálatas também fala dessa “expulsão”, usando outras palavras:

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.”
Colossenses 2:14-15

“Mas que diz a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque de modo algum o filho da escrava herdará com o filho da livre.”Gálatas 4:30 (conf. EvJo 8:35)

     Em João 16:11 Jesus fala do espírito da Verdade como algo que irá nos convencer do juízo, visto que o príncipe deste mundo está julgado. O que isso quer dizer? Somente com o real entendimento dessa expulsão (fim do sistema judaico) que podemos fazer uma relação com versos paralelos e, sem contradição, concluir que:

“Agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.”
Romanos 8:1

“Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.
Contra estas coisas não há lei.
E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.
Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito.”
Gálatas 5:22-25


     Como todas as doutrinas propostas pelo Autenticismo, há conexões e coerência.
Depois de estudar sobre essa expulsão, haverá um entendimento melhor sobre o milênio que estamos vivendo da qual “o opositor não pode mais enganar as nações”, tratando-se, simplesmente, da cédula que separava judeus e cristãos, o sistema judaico com sua Lei que favorecia a salvação dos judeus.

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